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Uma bandeira é levantada

Uma bandeira é levantada

Não tem jeito: você conhece a música, talvez conheça o intérprete, mas nunca sabe quem é o compositor. Para tentar mudar esse cenário, Daniel Figueiredo, multi-instrumentista, compositor e produtor musical, está a frente da Up-rights, empresa destinada a trabalhar para que os direitos dos artistas sejam respeitados “com uma justa remuneração pelo ofício da criação”.

Em um cenário de elevado crescimento e destaque da cultura brasileira, inclusive internacionalmente, ele quer atuar no mercado das artes e da cultura com o objetivo central de potencializar o ganho dos artistas com direitos autorais. Na prática, a empresa tornou-se uma alternativa para compositores, intérpretes, atores, diretores e artistas em geral reivindicarem os seus direitos. Para entender um pouco mais sobre essa bandeira, nós conversamos com ele. Confira:

Como surgiu a ideia de montar a Up-rights?
Como a maioria dos artistas, eu também estava muito insatisfeito com o valor que recebia pelos direitos autorais. Resolvi, então, pesquisar a fundo para poder comprovar se o que eu recebia era justo. Após essa pesquisa, descobri que o que eu estava recebendo era muito menor do que deveria, e com esse conhecimento adquirido, e muito trabalho, consegui aumentar a minha arrecadação em mais de 1.000%. Decidi, então, criar uma empresa para poder viabilizar esse trabalho para outros artistas.

Você acredita que a Up-rights possa ditar uma nova tendência no mercado musical, especificamente?
Acredito que não, pois atuamos praticamente sozinha no mercado durante anos. Talvez por ser um serviço muito específico, o lucro não vem fácil. Mas é claro que, com o sucesso da nossa empresa, é muito provável que aparecerão também oportunistas, que geralmente não são artistas, querendo usar a ideia para ludibriar os mais desavisados.

Vocês têm uma atuação forte contra o plágio. Quais são as ações mais importantes?
Existe uma lenda urbana, e 99,9 % dos músicos acredita nela, que diz: “Uma música só é plágio de outra se tem oito compassos iguais”. Ainda existe outra “versão” que diz que, na verdade, são oito notas. Tenho muita curiosidade de saber de onde surgiu essa lenda, pois quando um artista acredita que sua obra foi plagiada, ele primeiro tenta um acordo com quem o plagiou. Caso não tenha êxito no acordo, normalmente, entra-se com um processo de plágio contra o plagiador, e no decorrer do processo o juiz solicita a opinião de um perito, normalmente um maestro, para que ele possa tomar a melhor decisão. Acredito que exista plágio inconsciente assim como existe plágio descarado e, também, existe o plágio por desconhecimento: quando um artista copia parte de uma obra, ou faz uma versão, mas acha que não está fazendo nada “fora da lei”. Nesses meus 20 e poucos anos no ramo já vi de tudo. O melhor a ser feito é nunca copiar nada de ninguém e, se quiser fazer uma versão, citação, “samplear”, o mais seguro e barato é pedir autorização, o que muitas vezes se consegue até gratuitamente.

Quais os principais cuidados na hora de dar os créditos?
É necessário ter a autorização. Isto para qualquer obra que uma pessoa queira gravar, principalmente se a obra em questão for incluída em qualquer produto que venha a ser comercializado. E é bom reforçar ser necessária a autorização mesmo que não venha a ser comercializado, pois o autor pode não desejar que a obra dele seja vinculada ao produto em questão.

Quais foram os principais problemas que você teve de enfrentar?
Já tive o meu nome escrito de forma errada, já me deram créditos diferentes do que eu realmente havia feito, já tive meu nome fora dos créditos etc. Em alguns casos, pedi a reparação, em outros achei que não valia a pena todo o trabalho. Na Up-rights é o cliente quem decide o que será feito, e quando ele resolve pedir a correção, na maioria das vezes um acordo entre as partes resolve tudo.

Fonte: http://www.ticket.com.br/portal/ticketgestao/entre-aspas/uma-bandeira-e-levantada.htm

Foto: Leo Medeiros

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